Nº XI Entre sessões e Silêncios - O fim de um vínculo também revela verdades

A vida seguiu seu rumo. As consequências apareceram.
E algumas surpresas não foram tão positivas quanto imaginava.

Durante esse tempo, observou novamente algo que sempre incomodou profundamente: a capacidade humana de descartar pessoas. Não digo de fotos, vídeos e presentes mas de apagar laços como se nunca tivessem existido. Como se histórias, trocas, cuidado e convivência pudessem simplesmente ser colocados em uma caixa qualquer e esquecidos sem dificuldade.

Claro, existem relações objetivas. Relações profissionais. Vínculos que naturalmente se encerram sem grandes impactos emocionais. Nem tudo exige profundidade. Nem toda despedida precisa serdramática.

Mas não era sobre isso.

Era sobre perceber comportamentos que surgem quando as relações deixam de ser convenientes. Sobre a forma como algumas pessoas escolhem sair da vida das outras. Sobre a frieza inesperada de quem, até pouco tempo atrás, parecia incapaz de agir daquela maneira.

E talvez uma das partes mais difíceis disso tudo tenha sido perceber que os comportamentos dizem muito mais sobre alguém do que os discursos que essa pessoa sustentava enquanto tudo estava confortável.

Porque, no fim, existem pessoas que sabem parecer afetuosas. Sabem construir proximidade. Sabem ocupar espaços emocionalmente importantes. Mas nem sempre sabem lidar com responsabilidade afetiva, maturidade ou consideração quando algo muda.

Quando finalmente se deu conta de com quem estava lidando, sentiu uma espécie de mágoa silenciosa consigo mesma. Não apenas pelo outro, mas por ter ignorado percepções internas em nome da validação social, da tentativa de manter harmonia ou da necessidade de acreditar na imagem que aquela pessoa demonstrava.

E isso talvez seja uma das dores mais difíceis de elaborar: perceber que, em alguns momentos, também nos abandonamos para conseguir permanecer em determinados vínculos. Faz pensar em como, muitas vezes, só conhecemos verdadeiramente as pessoas quando elas estão saindo das nossas vidas.

É na ruptura que algumas máscaras deixam de ser necessárias.
É na distância que certos comportamentos aparecem.
É no desconforto que maturidade, caráter, consideração e responsabilidade emocional se tornam visíveis.

Porque enquanto tudo está bem, muitos lados permanecem escondidos atrás da conveniência, da boa convivência e das expectativas sociais.

Mas a forma como alguém escolhe partir também conta uma história sobre quem essa pessoa é. E embora exista dor em perceber isso, talvez exista também uma clareza importante.

Nem toda decepção acontece para destruir a forma como vemos o mundo. Algumas apenas nos obrigam a enxergar aquilo que antes insistíamos em não ver.

Às vezes, perder a imagem que tinha de alguém dói mais do que perder a própria pessoa.

Mas também pode ser exatamente isso que devolve clareza para continuar seguindo. 🌿


 

Pais & Filhos | O que os filhos aprendem quando os adultos nomeiam emoções

Crianças são ótimas observados mas péssimas intérpretes, e isso vale para todos os âmbitos incluindo a maturidade emocional. Logo elas não aprendem sobre emoções apenas pelo que lhes é dito, mas principalmente pelo que observam. Quando um adulto nomeia o que sente, ele ensina algo que vai muito além da palavra: ensina reconhecimento emocional.

Falar e nomear para a criança e adolescentes que convivem - e até mesmo para outros do dia a dia -, “estou irritado”, “estou triste”, “estou frustrado” não fragiliza sua autoridade dentro de casa. Muito pelo contrário, humaniza e flexibiliza a relação, além de oferecer à criança um repertório emocional que ela ainda está construindo.


Quando emoções não são nomeadas, elas se manifestam em comportamentos confusos, grito, junto com risadas, choro com certa violência, dizer não mas fazer exatamente o que não quer, por exemplo. A criança sente, mas não entende. Reage, mas não sabe explicar. Orientar a nomear as emoções auxilia em muitas coisas no convívio diário, por exemplo, auxilia a: 

  • Desenvolver vocabulário emocional

  • Reduzir comportamentos explosivos

  • Aumentar empatia e autorregulação

  • Fortalecer o vínculo


Não se trata de despejar emoções na criança, mas de mostrar que sentir faz parte da experiência humana — e que é possível lidar com isso de forma responsável.

Educar emocionalmente não é evitar conflitos, mas atravessá-los com consciência.

A criança aprende a se escutar quando alguém, antes, ensinou que emoções podem ser ditas.

Te vejo na terapia.
💖

Cotidiano | Pequenos ajustes de rotina que ajudam a reduzir a irritação diária

A irritação constante raramente surge do nada. Ela costuma ser o resultado de acúmulos: cansaço não reconhecido, limites ultrapassados, expectativas irreais e ausência de pausas emocionais. Sono atrasado, alimentação fora

Quando a rotina está sempre no limite, qualquer detalhe vira gatilho. Não porque a pessoa seja impaciente, mas porque já está exausta. E com isso acabamos nos esquecendo de tirar um tempo para si e permitir estar no ócio.


Reduzir a irritação diária não significa eliminar responsabilidades, mas ajustar a forma como se vive o cotidiano. E isso não é impossível, vou te mostrar pequenos ajustes possíveis que podem te ajudar a reduzir, como: 

  • Evitar sobreposição excessiva de tarefas

  • Criar transições entre compromissos

  • Diminuir estímulos constantes (ruído, telas, interrupções)

  • Rever expectativas rígidas sobre produtividade

  • Respeitar sinais claros de exaustão



A irritação diminui quando a vida deixa de ser vivida em modo de sobrevivência.
Cuidar da rotina é cuidar do emocional.

A irritação diminui quando a vida deixa de ser vivida no limite.

Te vejo na terapia.
💖

Psicoeducação | Limites emocionais: por que dizer “não” também é cuidado

Muitas pessoas sabem exatamente quando o outro ultrapassou seu limite. E limitar e falar não, pode ser bem desafiador, mas verdade mesmo é que o difícil é sustentar o “não” sem culpa. Porque sempre ficamos pensando que mal faria para o outro ou então até o que pensarão sobre si.

Limites emocionais não são barreiras frias. São formas de cuidado — consigo e com o outro. Principalmente para manter uma qualidade e a saúde dos relacionamentos.

A culpa que acompanha os limites

Para quem aprendeu que agradar é sinônimo de ser amado, dizer “não” gera medo.
Medo de rejeição, de conflito, de ser visto como egoísta. De estar afastando as pessoas e que pode ficar sozinho(a) e desamparado(a).

Mas a ausência de limites cobra um preço alto: ressentimento, cansaço, irritação acumulada, exaustão emocional e até adoecimento mental.

Pessoa em momento de introspecção, simbolizando emoções que se expressam por meio de comportamentos como silêncio ou afastamento.

Limites começam dentro

Antes de comunicar um limite ao outro, é preciso reconhecer o de si mesmo internamente. A terapia nos auxiliar a compreender esses limites, mas vou deixar alguns questionamento para te fazer refletir: 

  • Até onde isso me cabe?

  • O que estou fazendo por escolha e o que faço por medo?

Quando o limite interno está claro, a comunicação passa a ser mais firme e menos reativa, mais calma e com menos raiva, além de melhor na hora que resolver as questões que aparecerem.

Dizer “não” não rompe vínculos saudáveis.
O que rompe é o acúmulo de silêncios engolidos.

Cuidar de si também é aprender a não se abandonar para caber.

Te vejo na terapia.
💖

Pais & Filhos | Quando o cansaço transborda nos filhos

O cansaço mental nem sempre é físico. Na maioria das vezes, ele é emocional. E não é diferente quando se tem filhos na rotina.

Pais cansados tendem a reagir mais, escutar menos e tolerar pouco. Pequenas atitudes da criança geram reações intensas, tons de voz mais alto - até gritos -, palmadas e ofensas exageradas, não porque a criança esteja errada, mas porque o adulto já está no limite.

Quando o cansaço não é reconhecido e aceitado, ele transborda. E, muitas vezes, transborda justamente sobre quem está mais próximo. Seja pai, mãe, avô, avó, sobrinhos ou filhos.


Isso não te define como um pai ou uma mãe ruim. Isso te define como um adulto humano, funcional, sobrecarregado e precisando de cuidado.

O problema não é sentir cansaço. É não falar e dar nome a ele, não respeitá-lo e não buscar formas possíveis de regulação, para lidar com ele no momento de intensidade. E com isso podemos ter atitudes que nos fazem sentir culpa depois que passa toda a tempestade. 

Vou citar aqui,  4 sinais de alerta para quando começar a se preocupar com o cansaço e buscar auxílio profissional para lidar com as situações que envolvem:

  • Irritação frequente

  • Respostas automáticas

  • Culpa constante após conflitos

  • Sensação de estar sempre falhando


Mas como se olha para esse ponto, sem prejudicar a rotina e ao mesmo tempo cuidar de si mesmo? Essa pergunta pode parecer impossível de responder, ou até traz dificuldade na resposta. Pois quando estamos no meio de toda a situação temos um certo bloqueio em expandir nossa visão. Vou te passar alguns ajustes simples que podem ser feitos no dia a dia, que dependem mais de você do que seu ambiente:

  • Refletir sobre as expectativas, se estão de acordo com a realidade ou não;

  • Criar pausas possíveis, pelo menos 15 minutos, não irá atrasar sua rotina;

  • Compartilhar responsabilidades, convide seu(s) filhos e companheiro(a), eles também moram na casa;

  • Pedir ajuda sem culpa, você não será menos por isso.

Cuidar de si não afasta dos filhos, mas ensina eles a se manterem próximos.

Quando o adulto se cuida, a relação deixa de ser lugar de descarga e volta a ser espaço de vínculo.

Te vejo na terapia.
💖

Nº X Entre sessões e Silêncios

O ano mudou, e a vida também. 
Pontas que estavam soltas foram resolvidas e decisões adiadas tomadas. Uma avalanche de sentimentos e emoções guardadas para não serem sentidas e evitadas ao máximo, perceberam que era um momento seguro para sair e darem lugar para si.

Depois veio o alívio... o alívio de finalmente ter conseguido sentir e ser quem realmente é, de dar espaço para tudo que existe em si, sem amarras, sem julgamentos, sem críticas negativas, era só ela. Com todos os seus pedaços quebrados, sendo colocados em um mosaico que só ela entendia.

A arte do mosaico tem seu valor e preciosidade. Horas a fio medindo e pensando na melhor posição para se chegar a um resultado, olhando as cores e tons para se encaixarem e seguirem um padrão único, pois não haverá mais cacos daquela cor ou tom, são somente aqueles.

E é assim que ela começou a se perceber, como um grande mosaico sendo construído para enfeitar a casa que sua mente faz morada. Uma arte que só existe nessa casa, nesse momento e nessa vida. Cheia de singularidade e afeto. Cheio de quem ela sempre foi.

Psicoeducação | Quando a emoção vira comportamento: explosões, silêncios e fugas

Nem sempre o problema está na emoção.
Muitas vezes, está no que fazemos com ela.

Quando não aprendemos a reconhecer o que sentimos, a emoção encontra saídas pouco saudáveis: explosões de raiva, silêncios prolongados, afastamentos repentinos.

O comportamento como tradução emocional

Todo comportamento comunica algo.
A explosão pode esconder dor acumulada.
O silêncio pode carregar medo de confronto.
A fuga pode ser tentativa de autoproteção.

Entender isso não justifica atitudes que machucam,
mas ajuda a assumir responsabilidade sobre elas.

Pessoa em postura firme e tranquila, representando o cuidado emocional ao estabelecer limites.

Transformar comportamento começa antes da ação

A mudança não acontece no auge da emoção,
mas no treino diário de percepção.

Quanto mais cedo a emoção é reconhecida,
menor a chance de ela precisar se manifestar em excesso.

O que não encontra espaço para ser sentido costuma aparecer em forma de excesso.

Te vejo na terapia.

💖

Cotidiano | O que fazer quando tudo parece urgente (mas não é)

Viver com a sensação de que tudo é urgente e viver em estado de alerta constante, nos exige um gasto gigante de energia e esforço para se manter no equilíbrio emocional. A mente corre, o corpo acompanha, e o descanso vira culpa. Mesmo nos momentos de pausa, há um incômodo silencioso dizendo que algo deveria estar sendo feito.

Nos mantendo sempre na necessidade de estar produzindo e realizando coisas, e acabamos não lembrando que nem toda urgência é real. Muitas são emocionais.

dados organizados em forma de comando para simbolizar a urgência de situações mal elaboradas

Urgências reais têm consequências claras e objetivas. Já as urgências emocionais costumam vir acompanhadas de ansiedade, medo de falhar, necessidade de controle e dificuldade de tolerar espera ou frustração.

Quando tudo parece urgente, o corpo não tem tempo de entender o que está acontecendo e com isso, as decisões são tomadas no impulso, limites são ultrapassados e o cansaço se acumula junto com o estresse, com isso começamos a sentir uma irritação e um cansaço constante nos exaurindo.

Nesse tipo de situação, temos dificuldade de nos concentrar no momento presente e entender a prioridade das urgências. Se questionar costumar ajudar bastante a diminuir a ansiedade e lembrar do que precisar ser realmente feito. Algumas perguntas ajudam a refletir sobre isso, por exemplo essas 3 questões:

  • Isso realmente precisa ser resolvido agora?

  • O que acontece se eu resolver isso amanhã?

  • Estou agindo por clareza ou por ansiedade?

Após pensar nas respostas e perceber a real prioridade a ser executada, conseguimos diminuir a urgência interna, e aceitar que não estamos sendo preguiçosos ou procrastinado as ações. Isso, é cuidado.

Mulher calma em meio a água, simbolizando que conseguiu assumir as rédeas das suas emoções

Aprender a diferenciar o que pede ação do que pede regulação emocional muda profundamente a forma como lidamos com o dia a dia.

Nem tudo que pressiona precisa ser resolvido agora — algumas coisas pedem presença.

Te vejo na terapia.
💖